O que quer essa mulher?
Paola Oliveira, 28, revela aqui seus sonhos e vontades
Texto Amarílis Lage • Fotos J.R. Duran • Styling Zuel Ferreira e Juliano Pessoa • Coordenação Katia Del Bianco“Acho que vai ser difícil”, brinca a atriz Paola Oliveira, 28, quando descobre a proposta desta entrevista: descobrir o que ela quer em diversas áreas da vida. E explica: “É como se abrisse um leque em minha cabeça. Vou passar uma semana pensando nessas perguntas e falar: ‘Sabe aquele filme que eu citei? Posso mudar? Lembrei de outro muito mais incrível!’”, diz ela, rindo.
Mas ela topa a brincadeira, inspirada na minissérie Afinal, o que Querem as Mulheres?, que estreia neste mês na Globo. O programa, cujo título remete a uma frase célebre de Sigmund Freud, mostra a história de um pesquisador disposto a desvendar o universo feminino – e que, de tanto se dedicar a sua tese, acaba se separando de sua mulher, Lívia, interpretada por Paola. “A série fala sobre o que nós queremos, homens e mulheres. Imagina colocar em uma gaveta: elas querem isso, e eles aquilo. A vida não é uma matemática”, diz Paola.
Apesar daquele aviso bem-humorado, ao longo da conversa Paola parece saber, sim, o que quer. “Para mim, a indecisão é um lugar muito difícil. Prefiro não dormir, queimar neurônios e tomar uma decisão.” Na lida com seus sonhos e planos, ela tem duas estratégias. A primeira é manter os pés no chão. “Sonho muito também, mas quero aquilo que é possível”, conta ela, que cresceu na Penha, bairro na Zona Leste de São Paulo. A segunda é estabelecer metas a curto prazo – “Falo assim: ‘Vou entrar em determinada roupa’”, exemplifica.
Para 2010, a principal meta era trabalhar em uma minissérie. Acabou sendo chamada para duas – Afinal, o que Querem as Mulheres? e As Cariocas, que estreou no mês passado. “Já consegui cumprir as metas que me coloquei para este ano”, disse Paola na entrevista. Mas 2010 ainda reservava surpresas. Na semana seguinte, no dia em que posava para as fotos desta matéria, a atriz soube que havia sido escolhida para viver a protagonista da próxima novela das oito da Globo, Insensato Coração, que estreia em janeiro. Ana Paula Arósio, que faria o papel, não compareceu às gravações e foi substituída. Paola, que viverá pela primeira vez uma protagonista no horário nobre da TV, conta que mal acreditou na notícia. “É uma felicidade misturada com um ‘Oi? Entendi direito?’. Fiquei paralisada. Foi uma surpresa”, diz ela. Sinal de que a vida, às vezes, supera mesmo nossos melhores planos. A seguir, Paola conta um pouco mais do que quer.
TER A SORTE DE UM AMOR TRANQUILO
“Quero um relacionamento tranquilo, com companheirismo, com bom humor. Sempre me perguntam: o que a encanta em um homem à primeira vista? E é bom humor. Acho que a gente muda o que quer de acordo com a idade. Antes, a gente se atém à paixão, a algo que parece intensidade, mas que é só uma chama que qualquer vento apaga. Agora, é como se essa chama fosse, talvez, não tão grande quanto antes, mas mais duradoura.”
SER MÃE (MAS NÃO AGORA!)
“Várias amigas minhas têm filhos. Acho muito bonito, mas, agora, minha agitação não me permitiria estar tão focada (no filho), como acho que é certo. Aí eu treino com afilhados: o Joaquim (o ator Joaquim Lopes, namorado de Paola) tem uma e eu tenho mais dois, então a gente corre para comprar o presente do Dia das Crianças, aí um tem o primeiro dia na escolinha, o outro aprende a contar até dez em inglês. Deixa eu treinar antes!”
TER MAIS TEMPO
“O dia podia ter mais umas seis horas. Eu dormiria umas duas a mais e faria as coisas com um pouco mais de tempo. Porque todo mundo que está à minha volta, até o Joaquim, diz: ‘Você não pensa no trânsito. Você marca às 15h na Barra da Tijuca e às 15h10 em Botafogo. Você não chega!’. Acho que eu colocaria entre meus compromissos mais meia hora para cada um (risos).”

PODER PARAR
“Gosto de fazer tudo ao mesmo tempo. Se estou ao telefone e o outro toca, atendo também; dirijo, levo todo mundo comigo e vou deixando cada um em um lugar; quero fazer todos os projetos que aparecem. Sou muito agitada com a minha vida – e com a dos outros também (risos). Gostaria de poder parar, ler mais – leio vários livros ao mesmo tempo, então demoro para terminar todos. Queria ter um botãozinho que desliga, sabe? É bom quando a outra pessoa fala: ‘Ei, para um pouco’. E cuida de você.”
ADOTAR A LIBERDADE MASCULINA
“É como se o universo masculino tivesse uma pitada de liberdade a mais. Ele pode ir a um evento de terno e tênis – o.k., ele é cool. A mulher, se for, é maluca, não está na moda... E isso não é só na moda. Eles podem ter barriguinha! Tenho a sorte de ter um namorado lindo e espetacular, mas, se ele tivesse uma barriguinha, eu diria: ‘Ah, que lindo!’. É charme, entende? A gente – pelo menos eu sou assim – não tem essa cobrança com o masculino. Já as mulheres parecem ter um ‘caminho’ a seguir. Se você não está com a unha feita, outra já comenta: ‘Ih, olha lá...’.”
ENTENDER OS HOMENS
“Tem homem que acha bonito uma mulher sexy... Mas não quer para ele! Tudo bem, você não precisa ter tudo o que acha bonito, mas deveria pensar: ‘Ah, se rolasse...’. Eu acho um mistério essa relação deles com as mulheres – o que é só desejável e o que é real, para a vida.”
TER AUTONOMIA
“Sabe uma coisa que eu me dei de presente e que me deixa muito orgulhosa? A independência. Desde a faculdade (Paola é formada em fisioterapia), meu pai me ajudava, mas não 100%. Sempre tive sede de ter voz ativa e fui conquistando isso em uma família muito patriarcal (Paola é filha de uma enfermeira e de um policial), rigorosa, com dois irmãos homens...”
Vestido Cavalera
SER CUIDADA
“Quero ter liberdade, mas também quero ser cuidada (risos). Já vi escrito sobre mim: ‘Ela é prática, resolve tudo’. É como se eu fosse fria, e sou extremamente sentimental. Ao mesmo tempo que quero ter liberdade, ter minha opinião, também quero saber que as pessoas que me questionam ou com quem bato de frente estão olhando por mim e têm um afeto real.”
MISTURAR TUDO
“Meu pai é do Nordeste e gosta de música regional. Já minha mãe gostava de Jessé, umas coisas assim... Como fui buscar minha identidade musical, ela é muito aberta. Gosto de Madonna a Philip Glass. Se eu montasse um show, colocaria no mesmo caldeirão Paul McCartney, Joss Stone e música africana. A gente tem mania de colocar as coisas em gavetas: ou sou do rock ou do samba. Isso ocorre em todas as áreas. Eu queria parar com isso.”
APRENDER A CANTAR (E TALVEZ TOCAR VIOLÃO)
“Até saíram, há algum tempo, matérias falando que eu estudava canto: já era para a pessoa saber cantar, né? Mas, nessa vida meio Rio, meio São Paulo, um curso de um ano dura cinco. Também queria tocar violão – quando eu estiver com 35 anos, a gente fala de novo sobre isso (risos).”
TER FEITO SHAKESPEARE APAIXONADO
“Acabei de rever esse filme, acho lindo. E é uma história que não tem um final feliz, mas sim o final que tinha de ter. Às vezes as coisas não são como a gente quer, e a gente tem de fazer disso uma coisa boa.”
DIZER SIM (OU NÃO)
“Se querer é poder? Ouvi tanto minha mãe dizer que não é... Há coisas que não dependem da gente, então querer nem sempre é poder, mas já é o meio do caminho. Se você não quiser, já para por ali – o ‘não’ é muito forte, assim como o ‘sim’. Dizer sim, assumir uma coisa, também é difícil.”
Vestido Gloria Coelho
Produção executiva: Kariny Grativol. Beleza: Raul Melo (Capa). Produção de moda: Dudu Farias. Cenografia: Frank Dezeuxis. Assistente de cenografia: David Santoza. Manicure: Carmen Lúcia Luiz. Tratamento de imagem: Fujocka Photodesign. Agradecimentos: Casa Real Decorações e Flores



